A recente movimentação da startup chinesa DeepSeek fez ondas no universo da inteligência artificial. Seu modelo R1, que é superacessível, demonstrou potencial para competir diretamente com o modelo o1 da OpenAI. Essa rivalidade desencadeou uma perda de quase $600 bilhões no valor de mercado da Nvidia. Enquanto isso, engenheiros da Microsoft se mobilizavam para integrar o modelo R1 na plataforma Azure, uma decisão que partiu da alta cúpula da empresa.
Fontes próximas ao processo contam que a equipe de liderança da Microsoft, liderada pelo CEO Satya Nadella, agiu rapidamente para implementar o R1 na Azure AI Foundry e no GitHub. Para uma corporação do tamanho da Microsoft, essa celeridade é notável, e as movimentações indicam que Nadella estava preparado para este momento.
O lançamento do modelo de código aberto refletiu uma nova percepção sobre os custos da inteligência artificial em Wall Street, mas Nadella já previra essa mudança. Em uma participação no podcast BG2, ele alertou sobre uma revolução algorítmica que poderia resultar em eficiência computacional, previsão que se concretizou semanas depois com as inovações da DeepSeek.
O Impacto da DeepSeek no Mercado de AI
Como a DeepSeek conseguiu essa inovação é matéria de debate. Relatos sugerem que a Microsoft e a OpenAI estão relutantes em confirmar se a DeepSeek usou a API da OpenAI para treinar seus modelos utilizando uma técnica chamada destilação. Essa é uma preocupação que Nadella já havia enfatizado no passado.
“É impossível controlar a destilação,” Nadella afirmou, insinuando que tal prática poderia ser confundida com pirataria, dado que permite a engenharia reversa de capacidades com eficiência computacional superior.
No Natal, a DeepSeek lançou seu modelo de raciocínio V3, preparando o terreno para o tão aguardado R1. Embora a evolução da DeepSeek tenha parecido repentina para muitos observadores, aqueles que acompanharam o avanço da inteligência artificial perceberam a trajetória consistente da empresa através de seus lançamentos em 2024.
A DeepSeek anunciou que seu custo final de treinamento foi de apenas $5,6 milhões, um valor que laboratórios de AI nos Estados Unidos estão tentando confirmar replicando o modelo R1. A Microsoft parece satisfeita com a qualidade do modelo, pois busca implementações do R1 além da Azure AI Foundry e GitHub.
O modelo R1, agora destilado, pode rodar localmente em PCs Copilot Plus, começando com chips Qualcomm Snapdragon e, em seguida, com chips da Intel. Essa expansão traz novas capacidades de AI para o Windows, uma iniciativa que a Microsoft já estava desenvolvendo com seus modelos de linguagem Phi Silica.
Informações indicam que a Microsoft estuda como incorporar o R1 em suas ferramentas Copilot voltadas para empresas. A empresa prevê um aumento no uso de suas ferramentas de AI nos próximos meses, especialmente nas capacidades de agentes de AI. Modelos como o R1 podem ajudar a Microsoft a oferecer acesso mais acessível ao Copilot em aplicativos empresariais e plataformas de baixo código.
A introdução do R1 representa uma mudança significativa na redução dos custos de AI, focando em melhorias de software e modelos em vez de buscar incessantemente por poder computacional caro. “Acredito que haverá um limite sobre o quanto as pessoas vão buscar,” comentou Nadella em um podcast recente, refletindo sobre a necessidade de uma abordagem mais sustentável.
Nadella também destacou essa nova era em uma postagem no X, apontando para o paradoxo de Jevons, que sugere que melhorias tecnológicas aumentam o consumo. “Conforme a AI se torna mais eficiente e acessível, veremos um aumento exponencial em seu uso, tornando-a uma commodity,” escreveu.
A Microsoft não pretende ser a única produtora desse “carvão”, mas busca fornecer as ferramentas necessárias para os desenvolvedores de aplicações em AI. A resistência dos consumidores e empresas em pagar mais por AI ainda é evidente, levando a Microsoft a explorar soluções como o R1 para reduzir custos e aumentar o consumo. Embora o preço do R1 ainda não tenha sido anunciado, a DeepSeek já está comercializando seu modelo por $2,19 por 1 milhão de tokens de saída, em contraste com os $60 do modelo o1 da OpenAI.
“Por que eu gastaria muito em alguma capacidade de modelo quando os efeitos de rede estão todos na camada do aplicativo?” questionou Nadella, expressando sua visão de que a busca por novos e mais eficientes modelos pode ter influenciado a recente renegociação da parceria da Microsoft com a OpenAI.
Antes da renegociação, a OpenAI utilizava exclusivamente a infraestrutura de nuvem Azure da Microsoft. Com o novo acordo, a OpenAI pode explorar outras opções, desde que ofereça à Microsoft o direito de primeiro refusal para fornecer capacidade adicional. Essa flexibilização deve aliviar as tensões entre as duas empresas, especialmente após relatos de frustração da OpenAI quanto à entrega de servidores pela Microsoft.
Enquanto a OpenAI busca parcerias, como sua colaboração com a SoftBank em um projeto de data center de $500 bilhões, a Microsoft mantém um contrato complexo de compartilhamento de receitas, com as APIs da OpenAI ainda sendo exclusivas para o Azure. Isso permite que a Microsoft experimente modelos concorrentes para reduzir custos, enquanto ainda se beneficia das inovações da OpenAI. Além disso, a Microsoft está em desenvolvimento de sua própria versão do novo agente de AI da OpenAI, uma ferramenta que realiza tarefas na web.
Em um cenário onde grandes avanços em AI podem surgir de qualquer lugar, a Microsoft parece encontrar um equilíbrio, aproveitando o que há de melhor em suas parcerias e inovações.
Novidades da Microsoft com Dispositivos Surface
A Microsoft anunciou o lançamento de novos dispositivos Surface com chips da Intel no próximo mês. O Surface Pro 11 e o Surface Laptop 7 estarão disponíveis tanto nas versões com chips Intel Lunar Lake quanto Qualcomm. Essas novas versões da Intel são voltadas principalmente para empresas e possuem NPUs poderosos o suficiente para torná-los PCs Copilot Plus.
Além disso, a Microsoft está lançando uma nova estação de docagem USB 4, que funcionará com dispositivos Surface existentes. Em uma abordagem focada nos negócios, o Surface Hub 3 também receberá atualização com aplicativos web, acesso a conteúdo pessoal, suporte ao navegador Edge e projeção sem fio Miracast nos próximos meses.
- A Microsoft está se destacando no setor de AI, mas o Xbox enfrenta dificuldades. Apesar do crescimento em Azure e AI, a receita de jogos da Microsoft caiu 7% no último trimestre. A performance de hardware do Xbox diminuiu 29%, mesmo com lançamentos significativos não impulsionando as vendas esperadas.
- Integração do iPhone ao Windows 11. Insiders do Windows agora podem acessar mensagens e chamadas do iPhone diretamente no menu Iniciar, um recurso que antes estava disponível apenas para Android.
- Rumores de aquisição do TikTok. A Microsoft está em conversas para adquirir a unidade americana da ByteDance, dona do TikTok, com analistas acreditando que a empresa pode retomar a oferta que fez em 2020.
- Novos ícones de bateria no Windows 11. A Microsoft está testando ícones de bateria que indicam de forma mais clara o status de carga do dispositivo.
- Compartilhamento de conteúdo no File Explorer do Windows 11. A Microsoft começou a testar um novo acesso rápido a arquivos compartilhados dentro do Windows 11.
- Microsoft se consolida como a maior publicadora de jogos. Apesar de recentes desafios, a Microsoft liderou os gastos com jogos, superando a Electronic Arts em dezembro.
- Maior fiscalização sobre Microsoft e AWS no Reino Unido. O CMA do Reino Unido identificou problemas na competição de nuvem, sugerindo que a Microsoft torna mais difícil para outros competirem.
- Renderização neural está chegando ao DirectX. A Microsoft está trabalhando para integrar técnicas de renderização neural aos seus APIs, utilizando cargas de trabalho de AI para renderização em tempo real.
- Reflexão de Bill Gates sobre os 50 anos da Microsoft. Gates compartilhará sua história no livro Source Code, detalhando a fundação da Microsoft há décadas.
- Accesso gratuito ao modelo o1 da OpenAI para usuários do Copilot. A Microsoft isentou a taxa de assinatura para os usuários do Copilot, permitindo acesso ao modelo o1 gratuitamente.

